Colegas,
Na minha opinião de morador eu acho que o momento é ideal para um abaixo-assinado digital conjunto contra o barulho descontrolado da cidade do Rio de Janeiro. Mas talvez o melhor seria focar inicialmente nos barulhos de bares e boates.
As boates e bares podem tudo, mas o morador não tem a quem recorrer. A Secretaria de Meio Ambiente não faz seu papel. Me corrijam se estou errado, mas este é o órgão que deveria fiscalizar o barulho, correto? Atualmente sou morador do Leblon, mas em Copacabana passei pelos mesmos problemas com barulho provenientes de bares e eventos na orla. Não quero me mudar novamente porque uma nova boate está com som vazando, está tirando meu sossego e a Prefeitura não faz nada. E o que percebo é que o barulho invade diversos bairros e lugares. Já ouvi moradores do Jardim Botanico reclamarem do barulho dos eventos realizados no Jockey. O Jockey, as boates, os bares, os eventos a céu aberto fazem o barulho sem controle nenhum.
Aproveitando o momento, basta lembrar que muito do barulho da cidade é causado pela própria Prefeitura, que aprova eventos com som amplificado ou barulhentos. Basta lembrar do barulho de aviões do Red Bull Air Race, Rio Sertanejo no Jockey, shows altíssimos do Fifa Fun Fest em Copacabana e outros. Outros exemplos estão aí, basta ler as matérias que saíram recentemente no Globo: as reclamações dos que moravam perto do Scala, agora os que moram perto da Farup no Humaitá, os que moram perto dos bares do Leblon. Se buscarmos teremos muitos outros exemplos.
Outro gerador de barulho são os ônibus, com motores barulhentos, que ainda ganharam renovação de concessão por mais 20 anos em vez de serem substituídos por algo diferente e moderno como VLT. Andando pela Ataulfo de Paiva percebi como o barulho das pessoas nos bares se junta aos barulhos dos ônibus. A sociedade só assiste mas não participa da esfera do poder e assistiu esta renovação passivamente.
Voltando o foco ao barulho, gostaria de citar partes do livro "O ouvido pensante", de Murray Schafer, Editora Unesp, que fala de música e barulho em grandes cidades: "Em 1964 fundamos o primeiro Noise Abatement Council da Argentina. Primeiramente, nosso novo regulamento municipal anti-ruído faz uma distinção entre ruído "desnecessário" e "excessivo". Desde a aplicação da lei anti-ruído, temos classificado como ruído desnecessários a todos os sistemas públicos de comunicação que possam ser ouvidos do lado de fora de locais fechados, incluindo música, publicidade e discursos".
Ainda do livro: "Pesquisadores do Instituto Max Planck, na Alemanha Ocidental, querem saber por que as pessoas que trabalham em lugares barulhentos tem mais problemas emocionais e familiares do que as que trabalham em lugares mais sossegados".
Talvez com união e inteligência a sociedade pode mostrar sua força em vez de acatar a omissão da Prefeitura. A Prefeitura precisa nos ouvir.
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